O educador Iury Moraes, de 32 anos, tornou-se, em setembro de 2026, o primeiro mestre surdocego da Universidade de Brasília (UnB). Além da conquista na pós-graduação, ele também foi o primeiro estudante a ingressar no curso de licenciatura em Língua Brasileira de Sinais (Libras) e Português como Segunda Língua da instituição.
Iury nasceu com catarata e surdez profunda e perdeu o restante da visão ao longo de sua formação. Para ele, a conclusão do mestrado representa uma conquista construída durante toda a vida. Atualmente, o educador trabalha com ensino e pretende prestar concurso para a Secretaria de Educação.
A trajetória acadêmica foi acompanhada de perto pela mãe, Elem Moraes, que se comunica com o filho por meio da Libras tátil, modalidade que utiliza o toque para transmitir sinais. Durante a apresentação da dissertação, Iury contou com o apoio de intérpretes especializados, que se revezaram na tradução das informações.
Intitulada O saber na experiência do trabalho com pessoa surdocega: uma escrita autobiográfica, a pesquisa aborda experiências relacionadas ao trabalho com pessoas surdocegas e contribui para ampliar as discussões acadêmicas sobre acessibilidade e inclusão.
A orientadora de Iury, Liège Gemelli Kuchenbecker, do Programa de Pós-Graduação em Educação, na modalidade profissional, ressaltou a importância do trabalho conjunto entre a universidade, a família e a equipe de apoio para que o educador concluísse essa etapa da formação.
Após conquistar o título de mestre, Iury pretende continuar na carreira acadêmica e já considera ingressar em um doutorado. A trajetória reforça a importância de ampliar as condições de acessibilidade no ensino superior e de garantir oportunidades para estudantes com deficiência.



