O Governo do Distrito Federal (GDF) está implementando uma variedade de iniciativas para assegurar a inclusão de todos os estudantes na rede pública de ensino. Atualmente, são 30.370 alunos com necessidades específicas distribuídos nas 835 escolas, todas capacitadas para atender crianças e adolescentes com algum tipo de deficiência. Apenas no que diz respeito ao atendimento bilíngue em Língua Brasileira de Sinais (Libras), há 76 instituições.
Uma dessas instituições é a Escola Bilíngue de Taguatinga (QNH 01/03 Área Especial 1 e 2), que acolhe estudantes com deficiência auditiva e ouvintes filhos de pais com deficiência auditiva. Oferecendo aulas inteiramente em Libras e em português escrito em regime integral, a escola atende desde a educação infantil até o ensino médio e a Educação de Jovens e Adultos (EJA), incluindo estimulação precoce para crianças de seis meses a 3 anos, preparando-os para a entrada na escola.
Monielle Dantas, mãe de Enzo, um aluno de 9 anos no 4º ano do ensino fundamental, relata como a vida de seu filho e de sua família mudou radicalmente desde que ele ingressou na escola. Monielle também participou do curso de Libras oferecido pela instituição. Ela compartilha: “Quando ele começou a frequentar a escola, foi como se tivesse encontrado seu lugar. Seu comportamento mudou completamente. Ele se desenvolveu tanto que não precisou mais de medicação. Hoje, ele interage, conversa fluentemente, soletra. Aqui, ele percebeu que existem outras pessoas surdas, que não está sozinho. Agora, ele diz que tem amigos e se sente feliz.”
Esse sentimento de acolhimento é compartilhado por todos os estudantes. Sophia Pontes, uma estudante de 14 anos do 9º ano do ensino fundamental, também se sente assim. Ela diz: “Quando eu era mais nova, era difícil ser compreendida, tudo era muito complicado. Mas desde que cheguei aqui, a situação melhorou muito. Eu costumava sentir vergonha da língua [Libras]. Agora, é bem melhor. Minha mãe aprendeu a língua aqui na escola, e eu ensino à minha avó.”
Os filhos ouvintes de pais com deficiência auditiva também têm seu lugar garantido na escola. Conhecidos como codas (filhos de adultos surdos), desempenham um papel crucial muitas vezes atuando como intérpretes entre suas famílias e as comunidades onde vivem.
Erick Luan Barbosa, de 12 anos, que está no 6º ano, relata como tudo se tornou mais fácil desde que ele começou a frequentar a Escola Bilíngue. Ele diz: “Eu adoro as aulas em Libras. Depois que comecei a estudar aqui, nossa comunicação melhorou muito, o que facilitou muito nossas vidas. Minha irmã Liza, de 14 anos, que também é ouvinte e frequentou a escola até o ano passado, me acompanha em muitas atividades, como ir ao banco para nossos pais, levá-los ao médico, ao mercado.”
A diretora da instituição, Clissineide Caixeta, destaca que a escola acolhe todos os surdos, incluindo aqueles com outras necessidades especiais, como síndrome de Down, autismo ou surdo-cegos, proporcionando atendimento personalizado para cada um deles.
Além da Escola Bilíngue de Taguatinga, o Centro de Ensino Médio Integrado (Cemi) do Gama também é uma referência em inclusão. Lá, os estudantes com necessidades específicas participam das aulas regulares, mas têm acesso a uma Sala de Recursos onde realizam atividades lúdicas focadas em raciocínio lógico de forma individualizada.
A Secretaria de Educação tem implementado diversas ações para melhorar a educação inclusiva no DF, como o Núcleo de Acolhimento às Demandas de Educação Especial, que recebe denúncias e sugestões via Ouvidoria, e o Núcleo Digital de Aperfeiçoamento em parceria com a Subsecretaria de Formação Continuada dos Profissionais da Educação (Eape), oferecendo cursos para a capacitação de profissionais no atendimento a estudantes com deficiência e necessidades específicas.



