O cenário político do Distrito Federal foi sacudido por uma nova polêmica, expondo o que analistas classificam como o desespero político de José Roberto Arruda (PL) diante da proximidade das eleições de 2026.
A reação do ex-governador à decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que manteve sua inelegibilidade por oito anos, não foi de reflexão, mas de ataque virulento e pessoal contra o atual governador, Ibaneis Rocha (MDB).
Em uma postura que gerou ampla repercussão e críticas, Arruda disparou uma série de ofensas, chamando Ibaneis de “feio por fora e por dentro” e insinuando um conluio entre o governador e o Judiciário para barrar sua candidatura.
“Ibaneis é feio por fora e por dentro. Ele sabe que eu sou o único que pode enfrentá-lo de igual para igual, por isso comemora minha inelegibilidade” disse ele.
O ataque ocorre logo após o STJ rejeitar o recurso de Arruda, sacramentando a condenação por corrupção e improbidade administrativa na famosa Operação Caixa de Pandora, deflagrada em 2009.
A condenação, mantida pelo Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT), aponta desvios de R$ 900 milhões em contratos públicos. Com isso, Arruda permanece com os direitos políticos suspensos até 2030.
O diagnóstico de “desespero de um político derrotado” veio da assessoria de Ibaneis Rocha, que confirmou a avaliação de medidas judiciais por injúria e difamação.
O vídeo e as postagens de Arruda que circulam nas redes sociais trouxeram à tona um debate essencial: a política não deve ser palco de desrespeito e ofensas pessoais. Em um momento em que a polarização já domina o cenário nacional e local, a conduta do ex-governador foi amplamente criticada, reforçando a imagem de um político preso a velhas práticas.
A vice-governadora Celina Leão (PP), que lidera as pesquisas Ipespe com 28% das intenções de voto e consolida sua pré-candidatura, foi enfática:
“Política se faz com propostas, não com ofensas pessoais. Arruda mostra por que foi cassado e por que o povo rejeita seu retorno.”
A tentativa de Arruda de mobilizar a base bolsonarista com ataques a Ibaneis, que possui uma aprovação de 60,2%, parece estar gerando mais repúdio do que apoio.
Com a decisão do STJ, Arruda, que estava empatado em 14% nas pesquisas ao lado de Fred Linhares e Leandro Grass, perde força, enquanto Celina Leão avança como principal nome na disputa pela sucessão de Ibaneis.
O episódio apenas intensifica a polarização pré-eleitoral, mas serve de alerta: o eleitorado do DF demonstra cada vez mais rejeitar o baixo nível e o desrespeito em nome do debate construtivo.
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