O auditório do Museu Nacional da República ficou lotado na manhã desta segunda-feira (12) durante a solenidade em comemoração ao Dia Internacional da Enfermagem. Organizado pelo deputado distrital Jorge Vianna (PSD), o evento reuniu profissionais da categoria, representantes sindicais, conselhos de classe e autoridades dos três poderes, com o objetivo de homenagear a trajetória da enfermagem e debater avanços e desafios da profissão.
A cerimônia também prestou tributo a figuras históricas da enfermagem, como Florence Nightingale, fundadora da enfermagem moderna; Anna Nery, patrona da enfermagem brasileira; Josephina de Mello, referência da profissão no Amazonas; e Dona Ivone Lara, consagrada sambista que atuou como enfermeira por 37 anos, especialmente em hospitais psiquiátricos.
Cobranças por valorização e cumprimento do piso salarial
Durante o discurso, o deputado Jorge Vianna destacou a importância dos profissionais da área e cobrou maior reconhecimento por parte do Estado, da iniciativa privada e da classe política. Segundo ele, “é a enfermagem que sustenta o SUS e garante os programas de imunização, reconhecidos mundialmente. No entanto, falta estrutura e engajamento político”.
Vianna também criticou a desigualdade entre carreiras da Secretaria de Saúde do DF e pediu empenho do Governo do Distrito Federal pela isonomia salarial. Ele defendeu ainda a aprovação da PEC 19, que prevê a aplicação do piso nacional da enfermagem com base em uma jornada máxima de 30 horas semanais. Para o deputado, “nós ganhamos, mas não levamos. Infelizmente, muitos lugares no Brasil não estão pagando o piso. Além disso, no DF ele ainda está atrelado à carga de 44 horas semanais conforme decisão do STF, e não concordamos com isso”.
A governadora em exercício, Celina Leão (Progressistas), ressaltou sua atuação na aprovação da Lei nº 14.434/2022, que institui o piso da enfermagem. Ela afirmou que “o que seria de nós sem os profissionais de enfermagem? Lutei pelo piso salarial e nosso compromisso é nomear mais profissionais”. Segundo a governadora, o GDF apresentará ainda este mês um cronograma de nomeações para a área, com base no último concurso público.
Vianna reforçou que a decisão do Supremo Tribunal Federal, que vincula o pagamento do piso à jornada de 44 horas semanais (ADI 7.222), prejudica os profissionais. Ele lamentou que “a conquista do piso representa muito para a categoria, mas muitos estados não vêm respeitando a determinação legal”.
Saúde mental e mobilização política ganham destaque
Durante o evento, o diretor do Conselho Regional de Enfermagem do DF (Coren/DF), Elissandro Noronha, chamou a atenção para as dificuldades enfrentadas pela categoria, como duplas jornadas, baixa remuneração e adoecimento mental. “Não temos um salário digno, nem reconhecimento social, mas temos uma coisa: mobilização política. Somos 75 mil inscritos no DF e precisamos usar isso a nosso favor”, defendeu.
A conselheira do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), Helga Regina Bresciani, lembrou que o Brasil já conta com cerca de 3 milhões de profissionais da área e reforçou a relevância da profissão. Segundo ela, “a enfermagem tem que mostrar sua grandeza, que se dá no cotidiano, no dia a dia. Cuidar de pessoas em suas necessidades é o que nos diferencia das outras profissões de saúde. Somos a grandeza da saúde neste país”.
A solenidade foi encerrada com a entrega da medalha de honra ao mérito da enfermagem a diversos profissionais, em reconhecimento à luta em prol da categoria. A cerimônia completa está disponível no canal da Câmara Legislativa do Distrito Federal no YouTube.
