A rede pública de ensino do Distrito Federal atingiu um marco inédito na 28ª edição da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), ao conquistar 34 medalhas de ouro — quatro a mais que no ano passado — e um total de 87 premiações em todas as edições da competição. O resultado consagra alunos do ensino fundamental e médio, marca o melhor desempenho já registrado pelas escolas públicas do DF e reforça o protagonismo da capital em olimpíadas científicas nacionais.
Entre os destaques está André Filipe Torres, 17 anos, da sala de recurso específica da Escola Classe 64 de Ceilândia, que gabaritou a prova. “As olimpíadas são ótimas para desenvolver o interesse dos estudantes em novos assuntos, principalmente astronomia e astronáutica. É muito legal e realmente ajuda no desenvolvimento do conhecimento”, afirma.
Também medalhista de ouro, Maria Luiza Corrêa, 16, participa de olimpíadas desde o ensino fundamental e acumula resultados expressivos em competições como a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep), Olimpíada Nacional de Ciências (ONC) e Olimpíada de Matemática do DF (OMDF). “Antes eu estudava de forma mais leve, depois comecei a frequentar a sala de recursos e a me dedicar mais”, conta.
Christian Pereira, 17, participa da OBA desde 2021 e destaca a importância do desafio anual: “As olimpíadas são um ótimo exercício mental e uma experiência enriquecedora todo ano”.
Sala de recursos e incentivo ao talento
O trabalho com alunos de altas habilidades é coordenado há 14 anos pelo professor Marlon dos Santos. Ele ressalta que acompanhar o crescimento dos estudantes é um dos maiores retornos do projeto. “É interessante ver uma criança entrar aos quatro ou cinco anos e, aos 18, sair com uma trajetória marcada por projetos, olimpíadas e crescimento pessoal e acadêmico”, afirma.
A Escola Classe 64 de Ceilândia, referência no ensino de astronomia na rede pública, liderou o ranking de medalhas desta edição, com 13 premiações: sete de ouro, quatro de prata e duas de bronze.
A professora Carla Cíntia Oliveira, que atua há 20 anos na sala de recursos, relembra o início da participação da escola nas olimpíadas, em 2005. “Na época, eram pouco divulgadas. O professor Benilto decidiu inscrever os alunos porque muitos não acreditavam no próprio potencial. Queríamos mostrar que eram capazes”, conta.
O incentivo surtiu efeito: “Eles participam porque gostam, não porque é imposto. Oferecemos a oportunidade desde pequenos, e quando chegam à adolescência já têm outra visão sobre o aprendizado e sobre si mesmos”, completa Carla.
