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Chuvas acendem alerta para dengue no DF e reforçam ações de combate ao Aedes aegypti

Com redução de 96% nos casos prováveis em 2025, Secretaria de Saúde intensifica vistorias, tecnologia e vacinação para conter avanço das arboviroses no período chuvoso.

A chuva que ameniza o calor do verão no Distrito Federal também cria condições ideais para a proliferação do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, zika, febre amarela e chikungunya. Com comportamento sazonal entre outubro e maio, a doença exige atenção redobrada da população durante o período chuvoso.

No último mês, equipes da Vigilância Ambiental da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) realizaram vistorias domiciliares na quadra 508 de Samambaia Sul. A ação teve como objetivo identificar focos do mosquito, mapear índices de infestação e orientar moradores sobre medidas preventivas.

De acordo com a agente de Vigilância Ambiental Sofia Quaresma, a dengue é endêmica na capital, mas se intensifica com as chuvas. “Muitas vezes, pequenos acúmulos de água passam despercebidos. Um balde esquecido, um ralo pouco utilizado ou até o reservatório atrás da geladeira podem servir de criadouro”, explica.

Durante as visitas, os agentes identificaram recipientes com água acumulada na residência da aposentada Conceição de Maria Araújo, de 64 anos. Em um deles, foram encontradas larvas do mosquito, recolhidas para análise. “A orientação é fundamental. Agora vou redobrar os cuidados”, afirmou a moradora.

Para a chefe do Núcleo de Vigilância Ambiental de Samambaia, Giselle Melo, o combate à dengue depende diretamente da participação da comunidade. “Metade do resultado vem da orientação técnica e a outra metade da ação do morador. Reservar alguns minutos por semana para vistoriar o quintal e eliminar água parada é essencial para interromper o ciclo do mosquito”, destacou.

Dados apontam redução de casos

Em 2025, mais de 360 servidores da Vigilância Ambiental visitaram aproximadamente 1,8 milhão de residências no DF. Foram notificadas cerca de 25 mil ocorrências suspeitas de dengue, com 12 mil casos prováveis — uma redução de 96% em comparação ao mesmo período de 2024, quando o DF registrou 278 mil casos prováveis.

Até a Semana Epidemiológica 05 deste ano, foram notificados 1.132 casos suspeitos entre residentes do DF, sendo 616 prováveis e sete confirmados.

Os Núcleos Regionais de Vigilância Ambiental em Saúde atuam na prevenção e controle de riscos ambientais, monitorando zoonoses como dengue, leishmaniose e raiva, além do controle de vetores, análise da qualidade da água e ações educativas.

Estratégias tecnológicas ampliam enfrentamento

As ações de combate às arboviroses ocorrem de forma contínua em residências e espaços públicos. Entre as estratégias está a Borrifação Residual Intradomiciliar (BRI), que cria uma camada protetora nas paredes internas para eliminar mosquitos. Em 2025, quase 60 aplicações foram realizadas, especialmente em locais de grande circulação.

Outra medida é a instalação das estações disseminadoras de larvicidas (EDLs), compostas por recipientes com tela impregnada com Pyriproxyfen, substância que impede o desenvolvimento das larvas. Mais de 3,2 mil unidades foram instaladas no DF no último ano.

As ovitrampas também reforçam o monitoramento. Em 2025, mais de 3,8 mil armadilhas foram distribuídas. Além disso, drones passaram a auxiliar no mapeamento de áreas críticas, com varredura em 22 regiões administrativas e identificação de cerca de 3 mil possíveis criadouros.

O DF também adotou a estratégia dos “wolbitos”, mosquitos inoculados com a bactéria Wolbachia, que reduz a capacidade de transmissão dos vírus da dengue, zika, febre amarela e chikungunya. Foram registradas 14 semanas de produção e 13 semanas de liberação, totalizando aproximadamente 13 milhões de mosquitos com a bactéria.

A modernização das ações inclui ainda a entrega de 683 tablets aos agentes de vigilância ambiental, substituindo registros em papel e agilizando o processamento das informações.

Vacinação ainda abaixo do ideal

A campanha de vacinação contra a dengue também integra as medidas de prevenção. Até o momento, quase 222 mil doses foram aplicadas em crianças e adolescentes de 10 a 14 anos no DF. No total, cerca de 312 mil doses foram administradas nas redes pública e privada.

Apesar dos números, a cobertura vacinal ainda não atingiu o índice considerado ideal pelas autoridades de saúde, que reforçam a importância da imunização para prevenir formas graves da doença.

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