Em entrevista ao canal “Vozes da Comunidade”, o coronel Flávio Mendonça Palhares detalhou como a inteligência artificial, as mais de 15 mil câmeras integradas e o diálogo com os moradores estão suprindo a defasagem do efetivo policial.
A aposta na tecnologia somada à colaboração dos cidadãos tem gerado resultados expressivos para a Segurança Pública da capital.
Em entrevista concedida ao programa do YouTube “Vozes da Comunidade”, o comandante-geral da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), coronel Flávio Mendonça Palhares, anunciou que a corporação já recuperou centenas de veículos furtados ou roubados apenas neste ano.
O marco, segundo o oficial, é fruto de um trabalho que une o cercamento eletrônico, a inteligência das forças de segurança e a participação ativa da sociedade.
Durante o bate-papo, o comandante abordou o desafio demográfico enfrentado pelo DF: enquanto a população da capital cresceu de forma acelerada nos últimos 15 anos, o efetivo da Polícia Militar seguiu o caminho inverso.
Para equilibrar essa balança e garantir a segurança nas ruas, Palhares explicou que a estratégia da PMDF hoje se consolida em três frentes: a realização de concursos públicos para a recomposição gradual da tropa, o investimento massivo em inovações tecnológicas e a excelência no atendimento à população.
O diálogo constante com os moradores é visto como peça-chave no planejamento das operações.
O comandante-geral fez questão de enaltecer o papel dos Conselhos Comunitários de Segurança (Conseg) e do programa Rede de Vizinhos Protegidos, que mantêm contato diário com os comandantes de batalhão de cada região.
Para Palhares, é a população quem dá o verdadeiro norte do policiamento.
“Essa sintonia entre a nossa corporação e a comunidade é o que garante o êxito das operações. Nós elaboramos a parte técnica, distribuímos o efetivo e a frota, mas é o cidadão quem nos direciona. É ele quem nos mostra onde o problema é mais urgente e quais são as prioridades de cada bairro”, pontuou o coronel, destacando a importância da escuta ativa.
A defasagem no número de policiais também foi o gatilho para a criação do Centro de Tecnologia e Inovação da PMDF.
Esse núcleo fornece suporte direto, rápido e estratégico a setores cruciais, como o Batalhão de Polícia Ambiental (BPA), o Centro de Operações (Copom) e o Departamento de Operações (DOP).
Todo esse aparato trabalha em plena sintonia com o DF 360, uma plataforma de inteligência desenvolvida pela Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF).
A ferramenta não apenas moderniza o atendimento via rádio e telefone, mas introduz um monitoramento proativo com alertas automáticos em tempo real.
O coração desse sistema é o chamado “cercamento eletrônico”, que conta com aproximadamente 15 mil câmeras ativas por todo o Distrito Federal. Um dos grandes diferenciais do projeto é a participação civil: moradores e comerciantes podem integrar suas câmeras privadas de segurança — desde que voltadas para a rua — à rede de monitoramento do Estado.
O comandante-geral enfatizou que essa malha digital praticamente anula a sensação de impunidade para quem comete crimes nas ruas da capital.
“É a prova prática de como a tecnologia otimiza nosso trabalho. O criminoso pode até conseguir fugir no primeiro momento, mas ele será inevitavelmente rastreado, identificado e preso. Essa ferramenta eleva nossa capacidade de resposta e leva a informação precisa diretamente para o policial que está na ponta da linha, na viatura”, concluiu Palhares.



