A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) realizou, na última sexta-feira (24), sessão solene em homenagem à trajetória da Orquestra Filarmônica de Brasília (OFB). Além disso, o deputado Fábio Felix (PSOL) apresentou a iniciativa para reconhecer os mais de 40 anos de história do grupo, criado em 1985 por músicos da Universidade de Brasília (UnB) e da Escola de Música de Brasília (EMB).
Reconhecimento à trajetória
Durante a cerimônia, representantes da orquestra celebraram a história da instituição e, ao mesmo tempo, defenderam apoio permanente para garantir a continuidade do trabalho artístico. Presidente da OFB, Brésia Soares resumiu o desejo do grupo: “Nós não queremos que a orquestra sobreviva mais 40 anos. Nós queremos que ela viva para sempre”.
Além disso, ela destacou que a permanência da Filarmônica ao longo das décadas resultou de um esforço coletivo. “A Orquestra Filarmônica de Brasília atravessou governos, crises econômicas, pandemia, mudanças institucionais, transformações culturais profundas. Sobreviveu porque nunca foi obra de uma só pessoa”, afirmou.
Superação e formação de músicos
Por sua vez, uma das primeiras integrantes da OFB e atual conselheira administrativa, Alice Marques relembrou momentos de dificuldade enfrentados pelo grupo. “Nós perdemos os recursos, perdemos o espaço, ficamos na rua. Na TV, foi noticiado que a orquestra tinha acabado. Mas a orquestra saiu das cinzas, conseguiu se reerguer”, contou.
Além de recordar esse período, Alice ressaltou a vocação formadora da instituição, que surgiu inicialmente como Orquestra Jovem de Brasília. “A orquestra jamais perdeu o cunho pedagógico, o espírito educador. Não é somente uma orquestra estética, a música pela música, mas sim a música que eleva a qualidade das nossas vidas”, declarou.
Cultura e diversidade musical
Em seguida, ao abordar a atuação cultural do grupo, o regente Thiago Francis destacou a diversidade de estilos explorados nas apresentações. Segundo ele, a OFB “contribuiu com vários estilos e gêneros musicais, juntando o clássico ao pop, ao regional, ao hip-hop, ao sertanejo, ao infantil, criando novos sons e texturas”.
Além disso, o maestro citou apresentações em hospitais durante a pandemia e, ainda, shows ao lado de nomes como Fernanda Takai, Hamilton de Holanda, Liniker, Oswaldo Montenegro e Seu Jorge. “A OFB tem muita história para contar”, afirmou.
Demandas para o futuro
Para os próximos anos, Thiago Francis defendeu investimentos estruturais e financeiros. “Para os próximos 40 anos, uma sede própria, manutenção, programação, projetos aprovados e captados e, o principal, patrocínio”, disse.
Segundo ele, manter a orquestra ativa fortalece a cultura, a educação e a economia criativa do Distrito Federal.
Por fim, o deputado Fábio Felix ressaltou o papel da cultura como política pública. “Agora estamos fazendo um debate nacional sobre o fim da escala 6×1, estamos refletindo sobre a dignidade na vida. E a cultura é fundamental para o direito à vida na sua plenitude”, afirmou o parlamentar.
