O Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) realizou, em 8 de outubro, o primeiro transplante de medula óssea da unidade. O procedimento representa um avanço na oferta de tratamentos de alta complexidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e amplia as possibilidades de atendimento para pacientes com cânceres do sangue na rede pública do DF.
O primeiro paciente foi o comerciante Carlos França Pereira, de 54 anos, diagnosticado com mieloma múltiplo em novembro de 2025. A doença, que afeta células da medula óssea, foi descoberta após ele sentir dores persistentes decorrentes de um tumor identificado depois de um estalo no ombro durante um treino na academia.
Carlos iniciou a quimioterapia no Hospital de Base em fevereiro de 2026. Após apresentar resposta favorável ao tratamento, foi encaminhado para o transplante autólogo, modalidade que utiliza células-tronco do próprio paciente.
Procedimento exigiu preparação e monitoramento
Carlos foi internado em 5 de outubro. No dia seguinte, passou pela coleta das células-tronco, seguida da quimioterapia preparatória em 7 de outubro. A infusão das células ocorreu no dia 8 e durou aproximadamente 30 minutos, em um procedimento semelhante a uma transfusão sanguínea.
Após o transplante, o paciente permaneceu em isolamento e sob monitoramento constante, devido à redução temporária das defesas do organismo. Em 19 de outubro, exames indicaram que a medula havia retomado a produção de células de defesa. A recuperação foi confirmada no dia seguinte, e Carlos recebeu alta após 15 dias de internação, sem complicações graves.
Apesar do resultado positivo, a recuperação da medula não significa a cura definitiva do mieloma múltiplo. O transplante busca prolongar o controle da doença e melhorar a qualidade de vida, e o paciente continuará em acompanhamento médico para avaliar a evolução do tratamento.
Nova estrutura amplia capacidade de atendimento
A implantação do serviço é resultado de um projeto iniciado há cerca de dez anos, que exigiu adequações na estrutura física, capacitação de profissionais e criação de protocolos específicos de segurança. Aproximadamente 30 integrantes de diferentes especialidades participaram da preparação para atender às exigências técnicas do Ministério da Saúde.
Segundo Laura Ferreira de Mesquita Ferraz, chefe do Serviço de Hematologia, Hemoterapia e Transplante de Medula Óssea, a novidade representa um avanço na assistência hematológica do DF. Antes da implantação, pacientes que precisavam do procedimento eram encaminhados à Central Estadual de Transplantes, responsável por distribuir vagas entre os centros habilitados, o que podia resultar em meses de espera.
A expectativa do hospital é realizar de dois a quatro transplantes por mês, inicialmente em pacientes com indicação da modalidade autóloga, especialmente pessoas com mieloma múltiplo e determinados tipos de linfoma.
A unidade também pretende ampliar gradualmente os serviços e planeja oferecer, futuramente, o transplante alogênico, que utiliza células-tronco de um doador e pode atender a outros perfis de pacientes.
Paciente planeja retomar a rotina
Após meses de incertezas, Carlos afirma que o tratamento mudou sua perspectiva de vida. Durante a descoberta da doença, o comerciante temia morrer e deixar os filhos. Com a recuperação após o transplante, ele pretende valorizar mais os momentos cotidianos e retomar a rotina.
A alta foi marcada por uma homenagem da equipe multidisciplinar do Hospital de Base, que formou um corredor para celebrar a recuperação do paciente. Carlos recebeu mensagens de carinho e um certificado de Honra ao Mérito assinado pelos profissionais que o acompanharam durante a internação.



