O Distrito Federal atravessa um momento de transição simbólica e administrativa que desenha os contornos da eleição de 2026.
No centro desse tabuleiro está Celina Leão (PP), a vice-governadora que, ao assumir as rédeas do Palácio do Buriti nos próximos meses, não apenas cumpre um rito institucional, mas traz consigo o favoritismo da população.
Pesquisas de consumo interno, que circulam nos bastidores dos principais partidos, desenham um cenário de isolamento para a atual vice-governadora, entretanto um isolamento positivo.
Celina detém uma ampla vantagem sobre qualquer adversário e traz consigo uma experiência rara no cenário local: foi deputada distrital por dois mandatos, a primeira mulher a presidir a Câmara Legislativa do DF (CLDF), além de ter sido deputada federal e coordenadora da bancada feminina na Câmara dos Deputados.
Com pautas ligadas à proteção da mulher e ao fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), Celina demonstrou força e que nunca foi uma “vice-figurante” do governador Ibaneis Rocha.
Para os analistas, ela se tornou a gestora que mantém a continuidade de seus feitos, com a coragem de quem já demonstrou saber governar em momentos de crise.
No que se refere às pesquisas locais, os dois nomes que se aproximam são o do ex-governador Arruda, que continua nos trâmites em busca da elegibilidade, mas que permanece inelegível pelos entendimentos do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) e do Supremo Tribunal Federal (STF).
Mesmo com seu nome sendo cogitado, o clima de incerteza afasta doadores e desencoraja alianças consistentes, deixando-o orbitando em torno de um discurso de resistência que não se traduz em avanço numérico.
Aparece também Leandro Grass, principal nome da esquerda e atual presidente do Iphan, que ainda não conseguiu converter sua visibilidade federal em crescimento real.
Diante dos fatos, o desafio, a partir de 28 de março, transcende a gestão administrativa. Mais do que uma transição de nomes, a ascensão de Celina ao comando pleno do GDF representa uma contagem regressiva que antecede as urnas.
Se mantiver a articulação que a trouxe até aqui, o Palácio do Buriti poderá deixar de ser um local de passagem para se tornar, por direito e voto, a sua casa pelos próximos quatro anos.
