Quatro deputados distritais protocolaram uma representação formal que lança luz sobre um tema delicado e crucial para a democracia: o suposto uso político e ideológico da estrutura de comunicação oficial da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).
A denúncia, direcionada ao presidente da Casa, acusa a Agência CLDF de Notícias e os setores de Comunicação Institucional de quebra reiterada dos princípios constitucionais de impessoalidade e isonomia na cobertura jornalística.
O documento é assinado por Roosevelt Vilela (PL), Thiago Manzoni (PL), Pastor Daniel de Castro (PP) e João Cardoso (Avante), a principal crítica é que o portal oficial estaria atuando de forma seletiva, privilegiando vozes da esquerda e silenciando posições divergentes, especialmente em pautas com forte apelo ideológico.
O caso que serviu de catalisador para a denúncia é a publicação de uma matéria, em 14 de outubro, com o título “Distritais criticam projeto que prevê câmeras em salas de aula”.
O Projeto de Lei, de autoria dos próprios Roosevelt Vilela e Thiago Manzoni, visa instalar câmeras nas salas de aula como medida de segurança e transparência no ambiente escolar.
A reportagem da CLDF, contudo, abriu espaço unicamente para a crítica, destacando as falas dos deputados Chico Vigilante (PT), Fábio Felix (Psol) e Gabriel Magno (PT), e omitindo integralmente o contraponto dos autores da proposta.
Para os signatários, o conteúdo da publicação foi opiniativo e tendencioso, configurando um desvio flagrante da imparcialidade esperada de um órgão público.
A denúncia aponta que a Comunicação da CLDF estaria se convertendo em um “instrumento de narrativa política”, uma grave violação do artigo 37 da Constituição Federal, que rege a administração pública pelos princípios da legalidade, moralidade, impessoalidade, publicidade e eficiência
A denúncia dos quatro deputados evidencia uma falha institucional grave, caso as acusações se confirmem. A comunicação de um poder legislativo tem o dever de ser um espelho fidedigno do debate democrático, e não um megafone seletivo.
Um veículo de notícias financiado com recursos públicos, como a Agência CLDF de Notícias, tem a obrigação ética e legal de ser o mais plural e isonômico possível.
Silenciar autores de projetos de lei em matérias que os criticam não é jornalismo, é censura branca institucional. Cria-se uma distorção da realidade ao apresentar apenas uma faceta do debate, minando a confiança da população na imparcialidade do próprio Poder Legislativo.
O “bom senso crítico” sugere que, ao omitir o argumento dos proponentes em uma pauta de grande impacto social, a comunicação oficial não apenas falha em seu dever de informar, mas ativamente participa da desqualificação de uma proposta e de seus defensores.
Isso levanta a questão de quem define a linha editorial e com base em quais critérios, transformando um serviço essencial de transparência em um potencial cabo eleitoral disfarçado.
Os parlamentares não se limitaram à denúncia. Eles exigem a remoção imediata da matéria ou sua retificação com a inclusão do contraditório, além de uma revisão urgente dos processos internos da Comunicação Social.
Um ponto de crítica institucional adicional é a subordinação da Comunicação à Vice-Presidência da Casa, atualmente ocupada por Ricardo Vale (PT), membro do mesmo campo político dos deputados supostamente privilegiados na cobertura.
Os signatários defendem que o setor passe a responder diretamente à Mesa Diretora como um colegiado, argumentando que isso garantiria maior independência e equilíbrio institucional, uma medida que, na teoria, poderia diluir o poder de influência de uma única figura ou bloco político sobre o conteúdo veiculado.
A representação ressalta que o episódio de omissão não é isolado, mas sim parte de um padrão de tratamento desigual.
Até o momento, a CLDF não se manifestou oficialmente sobre a representação, deixando a expectativa no ar sobre quais providências serão tomadas para garantir que a comunicação oficial cumpra, de fato, seu papel constitucional de servir a toda a Casa e à população do DF com impessoalidade e rigor jornalístico.
